Evento promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo reuniu diversos especialistas para falar sobre oportunidades e desafios do emprego de tecnologias no campo Tecnologia para alimentar e preservar o planeta foi o tema principal da quinta edição do Summit Agronegócio Brasil 2019. O evento, promovido em 13 de novembro pelo jornal O Estado de São Paulo, reuniu diversos especialistas para falar sobre oportunidades e desafios do emprego de tecnologias no campo voltadas à produção sustentável.

Agricultura Digital

A chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), Silvia Massruhá, apresentou a palestra Agricultura Digital, no painel AgTech. Ela abordou as tecnologias disruptivas que estão transformando os processos produtivos, permitindo a criação de novos modelos de negócios para atender de forma mais eficiente às demandas do setor agropecuário.

Silvia também falou sobre os desafios de infraestrutura e conectividade, ressaltando a importância de um ecossistema de agricultura digital formado por institutos de pesquisa, universidades, empresas privadas e startups para superar essas dificuldades. “Temos vários desafios e para avançar precisamos nos unir mais”, afirmou.

O mapeamento de startups que atuam no setor agropecuário, chamado de Radar Agtech, realizado pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens, identificou que há 1.125 agtechs no País. Delas, 532 se dedicam a atividades de pós-produção, 397 atuam na produção, ou dentro da fazenda, e 196 em pré-produção. A maior parte está no estado São Paulo, ou seja, 400 startups.

A Embrapa Informática Agropecuária desenvolve pesquisas e soluções tecnológicas em áreas como automação e robótica, inteligência artificial, big data, internet das coisas (IoT), aprendizado de máquina (machine learning), blockchain para rastreabilidade de produtos agropecuários, e integração de dados. Silvia mostrou algumas das soluções digitais criadas em parcerias com outros centros de pesquisa, instituições e a iniciativa privada.

Neste painel, Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart – startup parceira da Embrapa, apresentou uma plataforma de serviços digitais que integra um banco de dados de mais de 30 empresas parceiras para melhoria dos processos produtivos no campo. Os serviços estão focados em irrigação de precisão, modelos agrometeorológicos e de previsão de pragas e doenças em culturas agrícolas.

Drone na agricultura

Já o pesquisador da Embrapa Instrumentação (São Carlos/SP), Lúcio André de Castro Jorge, integrou o painel sobre a tecnologia 4.0 - em plena revolução, durante o qual destacou o uso de drones na agricultura como ferramenta de geração de economia e de recursos para o produtor rural. Oportunidade de emprego, pulverização, legislação, uso por cooperativas e setores que mais lançam mão do drone atualmente foram abordados por ele no painel, no começo da tarde.

Ao contrário do que se imagina, o pesquisador afirmou que já há iniciativas no agro visando o acesso dessa ferramenta também para os pequenos agricultores. Entre os trabalhos realizados, o pesquisador lembrou da pesquisa desenvolvida em parceria com a multinacional Qualcomm para potencializar o acesso da tecnologia aos pequenos agricultores.

Outra frente que está sendo trabalhada é o uso de drones para controle biológico – liberação de insetos na lavoura. Na sua visão, há um gargalo para que efetivamente a tecnologia possa chegar ao campo. “Falta qualificação de mão-de-obra especializada para usar o drone com segurança na lavoura e políticas que canalize adequadamente o emprego da tecnologia”, diz.

Na opinião do superintendente do Senar-MT e coordenador do programa Agrihub, Otávio Celidônio, um dos integrantes do painel, os pequenos produtores precisam se capitalizar primeiro para adotar o drone como uma ferramenta de agregação de valor. “A agricultura 4.0 é um processo de desenvolvimento de tecnologia, que ainda apresenta algumas dificuldades que o pequeno produtor não têm condições de absorver”, avalia.

Mas para o pesquisador Castro Jorge, que desenvolve sistemas para processamento de imagens aéreas captadas por câmeras embarcadas em drones, o potencial de aplicação desta tecnologia é gigantesco e alcança um mercado global em expansão.

De acordo com cálculos da Teal Group, divulgados recentemente, os veículos aéreos não tripulados, conhecidos também como vants, serão o segmento da indústria mundial aeroespacial com crescimento mais dinâmico desta década. A corporação projeta uma produção de aparelhos de mais de 14 bilhões de dólares em 2028.

A produção de softwares para processamento das imagens será ainda maior, podendo ser três vezes mais o volume estimado para equipamentos. Castro Jorge disse que os setores do agro que mais usam drones estão o florestal com 40% do mercado, seguido do sucroalcooleiro com 30%, grãos – soja, milho e trigo – com 15%, algodão com 3%. Os demais setores, incluindo a pecuária e fruticultura, respondem por 12%.

“O Brasil se destaca no monitoramento da cultura, usando o drone para avaliar produtividade, pragas, doenças, fertilidade. O uso do aparelho para pulverização e semeadura é outra frente”, completa. O pesquisador adianta que fará uma demonstração da tecnologia no Laboratório de Referência Nacional de Agricultura de Precisão (Lanapre) durante o Simpósio Nacional de Instrumentação Agropecuária (Siagro). O evento será realizado de 3 a 5 de dezembro, em São Carlos (SP).

Nadir Rodrigues (MTb/SP 26.948 e MS 15.188)

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Fonte: Embrapa Notícias