Vaivém das Commodities acompanha 30 anos de evolução do agronegócio

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Final da chamada "década perdida". O país estava endividado, a inflação era galopante, e o agronegócio, como o restante da economia, enfrentava dificuldades

Os preços agrícolas das transações feitas no fim do dia seriam bem diferentes daqueles negociados no período da manhã. Nesse cenário, em 24 de maio de 1989, começava a ser publicada a coluna Vaivém das Commodities, assim denominada em alusão aos constantes movimentos contrários do fluxo das mercadorias.

No dia anterior ao início da publicação, a manchete da Folha era, no mínimo, preocupante: "Faltam arroz, feijão, carne, café e açúcar". No texto, o jornal incluía óleo de soja, leite e derivados de carne.

A inflação daquele ano atingiu 1.973%, taxa altíssima que ainda seria superada em um futuro próximo.

Quatro anos depois, chegaria a 2.477%.

Logo em seguida, a Folha criou uma tabela própria de cotações, pesquisando preços de 16 produtos em 50 dos principais locais de produção e de comercialização do país.

Mais adiante, veio uma página diária de commodities para que se fizesse um acompanhamento ainda mais preciso das atividades do setor.

Em 30 anos, muita coisa mudou no campo. Na década de 1990, com as finanças em frangalhos e limitações orçamentárias, o governo foi obrigado a sair do setor, desregulamentando várias atividades.

Começou pelo café e pela cana-de-açúcar, extinguindo o IBC (Instituto Brasileiro do Café) e o IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool), em 1990.

A saída do governo não foi de todo má. O agronegócio caminhou com as próprias pernas e conseguiu evolução contínua.

As exportações de açúcar saíram de 1 milhão de toneladas naquele período para 28 milhões.

O país, de importador de alimentos, passou a ser um dos principais fornecedores de commodities do mundo.

É verdade que setor poderia estar em patamares melhores que o atual. Não foi feita uma política de longo prazo, e um dos seus principais gargalos, a logística, não evoluiu como o conjunto do agronegócio.

A falta de infraestrutura adequada continua sendo um dos fatores de perda de competitividade do produto brasileiro.

Faltou ao Brasil inserção global maior. Governo e iniciativa privada descuidaram das relações comerciais, e hoje o país está praticamente isolado quando se trata de acordos internacionais de comércio.

Do ponto de vista do produtor, faltou uma política de renda, sobretudo por meio de um plano de seguro rural consistente. Foi esse o caminho seguido pelos principais concorrentes do Brasil.

Por meio de subsídios ou de políticas específicas, os maiores produtores mundiais protegem seus agricultores, haja vista o que fizeram os EUA na semana passada, ao colocarem US$ 16 bilhões à disposição dos produtores para resguardá-los dos efeitos da guerra comercial com a China.

Ainda assim, os números brasileiros nestes 30 anos são impressionantes. Com um aumento de 49% na área utilizada para a safra de grãos, o Brasil conseguiu uma evolução de produção de 231%.

O Valor Bruto de Produção dos 17 principais produtos agrícolas, corrigido segundo a inflação, foi de R$ 398 bilhões no ano passado, 119% mais do que em 1989. A soja teve evolução de 287% no mesmo período, e o valor da pecuária subiu 128% de 2000 a 2018.

O crescimento da produção melhorou a oferta interna de alimentos. Nos anos 1980, de cada R$ 100 que o consumidor gastava, R$ 39 eram destinados a alimentos. Atualmente, são R$ 24.

As exportações do agronegócio tiveram grande importância para sanear as contas do governo e trazer receitas para produtores e exportadores.

Nos dez anos mais recentes, as exportações do agronegócio somaram US$ 90 bilhões por ano, em média. Na década imediatamente anterior, o valor era de US$ 38 bilhões.

Por que tanta evolução na produção e na exportação? O setor caminhou a passos largos graças ao uso de tecnologia.

A agricultura avançou para diferentes regiões e teve o suporte de novas tecnologias da Embrapa e de outras empresas que vislumbraram o bom desempenho do setor no país.

O aumento de produção teve respaldo tanto no consumo interno como no externo. Neste último caso, a evolução da renda nos países emergentes garantiu as exportações.

As cooperativas também tiveram grande importância nesse crescimento. Além de estimularem a produção interna, elas passaram a ter papel significativo nas exportações.

Em 1989, Roberto Rodrigues dizia que, quando as cooperativas chegassem a ser tradings, a expansão seria ainda maior. Em seu período de ministro da Agricultura, na primeira década deste século, elas não só cresceram nas exportações como também se tornaram importantes agroindústrias.

Mais do que saber produzir, a atividade agrícola atual exige saber vender. A presença de fundos bilionários no setor, comprando e vendendo papéis constantemente, obriga o produtor a ampliar seus horizontes.

Oferta e demanda já não são os únicos fatores determinantes para o setor. Entender as movimentações do dólar, da Bolsa e do mercado financeiro passou a ser imprescindível também.

O setor agropecuário está em constante mudança, e isso requer do produtor brasileiro a agilidade para se adaptar a novos rumos e enfrentar novos desafios — seja a busca de um produto de melhor qualidade, seja a atenção às exigências do consumidor, seja a produção com garantia de sustentabilidade.

O atual governo precisa ir se acostumando a essas novas exigências do mercado, principalmente às do externo. Um deslize nessa área pode pôr muita coisa a perder.

Fonte: Folha de S. Paulo

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